Justiça

"Mendigata de Goiás" presa por suposto mandado de morte

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"Mendigata de Goiás" presa por suposto mandado de morte

A fachada digital desmoronou rapidamente para Yre Sales Duarte, influenciadora digital conhecida como "Mendigata de Goiás". Presa na terça-feira, 11 de novembro de 2025, a mulher é suspeita de ter ordenado o ataque a facadas contra um homem em situação de rua. O crime ocorreu na Avenida Paranaíba, em Goiânia, e teria sido motivado por disputas territoriais no tráfico de drogas.

O que começou como uma narrativa de sobrevivência nas redes sociais revelou-se, segundo as investigações da Polícia Militar do Estado de Goiás (PMGO), algo muito mais sombrio. Yre não vivia nas ruas; ela usava a imagem de sem-teto para ocultar suas atividades criminosas enquanto coordenava um esquema de entorpecentes.

Os detalhes do ataque e a prisão

No dia do ocorrido, o companheiro de Yre, Antônio Gonzaga de Oliveira Filho, de 21 anos, conhecido como "R7", atacou a vítima com múltiplos golpes de faca. O agressor deixou o homem gravemente ferido, necessitando de internação hospitalar urgente na capital goiana.

A operação policial foi rápida. Equipes do 38º Batalhão da Polícia Militar, apoiadas por inteligência, localizaram os suspeitos no Setor Leste Vila Nova. Durante a abordagem, os militares apreenderam itens que contradizem a história contada pela influenciadora: porções de crack prontas para venda, uma balança de precisão e dinheiro de origem não comprovada.

A vítima, ainda recuperando-se no hospital, identificou diretamente Antônio como o executor dos golpes. Embora ele tenha admitido estar no local, negou inicialmente a autoria do atentado. Já Yre foi apontada pelos investigadores como a mente por trás do comando.

Histórico criminal e a dupla vida

Não é a primeira vez que Yre Sales Duarte cruza caminhos com a lei. Segundo a PMGO, ela acumula mais de 120 registros de abordagens policiais. Seu histórico inclui condenações ou inquéritos anteriores por tráfico de drogas e receptação.

Já em outubro de 2024, Yre havia sido presa sob suspeita de tráfico. Na ocasião, sua defesa argumentou que ela portava apenas uma pequena quantidade da substância para uso pessoal, tentando minimizar a gravidade do ato. No entanto, a descoberta recente de uma balança e quantias significativas em dinheiro sugere um padrão organizado de comércio ilícito, e não simples consumo.

Seu parceiro, Antônio Gonzaga, também possui um passado turbulento, respondendo por tráfico de drogas e homicídio. A combinação das duas figuras cria um perfil de risco elevado para a comunidade local.

Liberdade provisória e ilegalidades processuais

Apesar da prisão em flagrante ratificada inicialmente pela autoridade judiciária, o rumo do caso mudou abruptamente dois dias depois. Na quinta-feira, 13 de novembro de 2025, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) decidiu liberar ambos os acusados.

A decisão baseou-se em alegações de ilegalidades durante a execução da prisão. O tribunal constatou que os militares entraram na residência dos investigados sem autorização judicial adequada e que, naquele momento específico, faltavam provas concretas que conectassem diretamente os detidos ao crime cometido na Avenida Paranaíba ou às drogas apreendidas.

Essa liberação não significa absolvição. Pelo contrário, transfere a responsabilidade para a fase de investigação detalhada. Agora, a Polícia Civil de Goiás assume o caso, com foco na Delegacia Estadual de Repressão a Entorpecentes (DRE).

O impacto social e a próxima etapa

O caso expõe uma realidade desconfortável: o uso de plataformas digitais para construir personas falsas que mascaram crimes graves. A imagem de "vítima da sociedade" utilizada por Yre serviu como cortina de fumaça para operações de tráfico, gerando engajamento enquanto prejudicava a segurança pública.

A investigação agora busca estabelecer nexo causal definitivo entre Yre e o comando do ataque. Perícias técnicas, análise de dados digitais e novos depoimentos serão cruciais. O Ministério Público do Estado de Goiás ainda se mantém reservado, aguardando o andamento dos trabalhos da polícia civil.

O prazo para conclusão das investigações permanece indeterminado, mas a pressão pública e a gravidade do fato — uma tentativa de homicídio seguida de liberação dos suspeitos — garantem que este caso permaneça sob holofotes.

Perguntas Frequentes

Por que Yre Sales Duarte e seu companheiro foram libertados?

Eles foram libertados pelo Tribunal de Justiça de Goiás devido a irregularidades processuais na prisão. O tribunal determinou que a entrada na residência dos investigados foi feita sem autorização judicial válida, caracterizando uma invasão ilegal, e que, naquele momento, as provas materiais não eram suficientes para justificar a custódia preventiva imediata.

Qual foi o motivo alegado para o ataque à facadas?

Segundo as investigações preliminares da Polícia Militar, o desentendimento que culminou no ataque estava relacionado a disputas de pontos de venda de drogas na região. A vítima era um homem em situação de rua que aparentemente conflitava com os interesses do esquema de tráfico operado por Yre e seu companheiro.

O que foi encontrado durante a abordagem policial?

Durante a operação no Setor Leste Vila Nova, a polícia apreendeu porções de crack prontas para comercialização, uma balança de precisão (indicativa de tráfico, não de uso pessoal) e quantias em dinheiro cuja origem não pôde ser justificada pelos detidos.

Quem está investigando o caso atualmente?

Com a liberação dos suspeitos, a responsabilidade pela continuidade das investigações passou para a Polícia Civil de Goiás, especificamente através da Delegacia Estadual de Repressão a Entorpecentes (DRE). Eles buscarão novas provas para vincular definitivamente os acusados ao mandado de morte.

Yre Sales Duarte tem antecedentes criminais?

Sim, ela possui um extenso histórico com a polícia, incluindo mais de 120 registros de abordagens. Seus antecedentes incluem acusações anteriores por tráfico de drogas e receptação. Em 2024, já havia sido presa sob suspeita de tráfico, embora tenha sido liberada após argumentar uso pessoal.